Deu foi vontade de escrever poesia!
Às pessoas que, dados os caminhos da vida, conseguem ser sempre flores a brotar em nova estação:
Queria eu ser sopro de vento, e saber desejar pelo simples o que planejo em palavras. Queria eu escorrer feito água em cachoeira e, serena e certa, acertar o caminho..
Mas já que o que nos sobra é pouco
É palavra traduzida, texto sufocado,
Te desejo é muita vida.
Vida de todas as cores, vida que vibra em todos os tons
Vida que é de viver,
Vida que inspira som, canto, melodia..
Te desejo é a vida que me ensinou a gostar
Vida que nunca deixa de ser linda
E de linda, o que nos deixa é muito..
Um sopro de vento e uma queda d'água: Te desejo a Vida.
sábado, 4 de outubro de 2014
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Busca dialética. Busca?
A madrugada, a noite serena e alta, sempre foram meus lugares de refúgio. E nesse lugar de refúgio, sempre acabo que me encontro nas palavras.. ou são elas que me encontram, depois de um dia apertado!
Escritos de anos atrás me lembraram o quão fluido e à vontade estas tais saíam neste cair de noite. É como apagar a luz e sentir-se protegido sem enxergar. É como encontrar-se com você mesma em um lugar que só você poderia encontrar, e entender... e fazer-se explicar!
Não sei a quem digo, porquê digo, mas o faço. E algum sentido deve ter esta combinação confusa e ao mesmo tempo óbvia de signos... decifrando o sentido pelo corpo, comunicando o inexpressável.
Talvez seja isto o que me mova. O desafio de dizer o indizível, a lógica de fazer-se sentido. Sentido. E o que foi sentido já foi. Não sei direito o que é sentir o agora. Sinto. Vivo. E penso sobre isso depois que já o fiz.. buscando (outra vez) o sentido que me moveu. Pensar. Talvez seja o que estrague mesmo tudo o que sentimos.
Pensar será mesmo então estar doente dos olhos?
Escritos de anos atrás me lembraram o quão fluido e à vontade estas tais saíam neste cair de noite. É como apagar a luz e sentir-se protegido sem enxergar. É como encontrar-se com você mesma em um lugar que só você poderia encontrar, e entender... e fazer-se explicar!
Não sei a quem digo, porquê digo, mas o faço. E algum sentido deve ter esta combinação confusa e ao mesmo tempo óbvia de signos... decifrando o sentido pelo corpo, comunicando o inexpressável.
Talvez seja isto o que me mova. O desafio de dizer o indizível, a lógica de fazer-se sentido. Sentido. E o que foi sentido já foi. Não sei direito o que é sentir o agora. Sinto. Vivo. E penso sobre isso depois que já o fiz.. buscando (outra vez) o sentido que me moveu. Pensar. Talvez seja o que estrague mesmo tudo o que sentimos.
Pensar será mesmo então estar doente dos olhos?
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Sobre crianças e sentimentos
Quero a sensação de me escutar inteira mesmo de olhos abertos...
Quando estou com as crianças, sinto isso com elas. Aprendo a ouvir-me com todo o coração, a segui-lo, a escutá-lo...
As crianças pouco sabem sobre a razão. Não racionalizam os sentimentos. Sentem-no. Vivem-no! E são as que mais facilmente nos explicam o que é o amor... o que é viver.. porque vivem, simplesmente.
“Amar é a mais pura inocência. E a mais pura inocência é não pensar.” (Alberto Caeiro)
Caeiro tenta despir-se de tudo que aprendeu... desembrulhar-se da razão que lhe fora ensinada e ser ele! Desencaixotar-se...
As crianças sabem onde querem chegar... porque só querem viver, e viver é agora. Não é depois. Sorrir é agora. E logo depois chorar e em seguida sorrir novamente. Porque a expectativa é a do agora.
Acho lindo observá-las brincando. Na fantasia, o sorriso é real... As lágrimas, quando de mentirinha, também são lembradas como parte da vida. E quando aparecem de verdade, são sentidas. São vividas. E logo passam... E logo as mãos se dão novamente, logo a fantasia retorna, logo a realidade é novamente imitada e reinventada.
Desencaixotar-se. Viver a mais pura inocência...
Quando estou com as crianças, sinto isso com elas. Aprendo a ouvir-me com todo o coração, a segui-lo, a escutá-lo...
As crianças pouco sabem sobre a razão. Não racionalizam os sentimentos. Sentem-no. Vivem-no! E são as que mais facilmente nos explicam o que é o amor... o que é viver.. porque vivem, simplesmente.
“Amar é a mais pura inocência. E a mais pura inocência é não pensar.” (Alberto Caeiro)
Caeiro tenta despir-se de tudo que aprendeu... desembrulhar-se da razão que lhe fora ensinada e ser ele! Desencaixotar-se...
As crianças sabem onde querem chegar... porque só querem viver, e viver é agora. Não é depois. Sorrir é agora. E logo depois chorar e em seguida sorrir novamente. Porque a expectativa é a do agora.
Acho lindo observá-las brincando. Na fantasia, o sorriso é real... As lágrimas, quando de mentirinha, também são lembradas como parte da vida. E quando aparecem de verdade, são sentidas. São vividas. E logo passam... E logo as mãos se dão novamente, logo a fantasia retorna, logo a realidade é novamente imitada e reinventada.
Desencaixotar-se. Viver a mais pura inocência...
domingo, 2 de março de 2014
Fecundar o chão
Todo ser humano deveria, por direito, conviver com pelo menos um punhadinho de terra por perto.
Seja num vaso em cima da mesa, em um canteiro da casa, no quintal cheio de árvores.. que seja um punhadinho.
Principalmente aqueles que vivem em blocos de concreto e longe estão do contato com o chão, com o marrom, o verde e o colorido..
Desse punhadinho, muita coisa pode nascer.
O hábito do cuidado diário mostrando-se vital,
O despertar para um processo que se parece com muito do que a gente vive: natural, lento e suave...
A sensibilidade de perceber, neste processo, as necessidades e especificidades de cada cultivo...
E a paciência de quem cultiva e espera..
A terra cria, recria e ensina.
Relembra o que tanto concreto nos faz esquecer.
Nos traz de volta ao sagrado mais visível que se pode alcançar.
E o mais bonito, que nasce a todo instante:
cores, aromas e sabores que agraciam, retribuem e alimentam.
Afagar a terra
conhecer os desejos da terra
e fecundar o chão..
Seja num vaso em cima da mesa, em um canteiro da casa, no quintal cheio de árvores.. que seja um punhadinho.
Principalmente aqueles que vivem em blocos de concreto e longe estão do contato com o chão, com o marrom, o verde e o colorido..
Desse punhadinho, muita coisa pode nascer.
O hábito do cuidado diário mostrando-se vital,
O despertar para um processo que se parece com muito do que a gente vive: natural, lento e suave...
A sensibilidade de perceber, neste processo, as necessidades e especificidades de cada cultivo...
E a paciência de quem cultiva e espera..
A terra cria, recria e ensina.
Relembra o que tanto concreto nos faz esquecer.
Nos traz de volta ao sagrado mais visível que se pode alcançar.
E o mais bonito, que nasce a todo instante:
cores, aromas e sabores que agraciam, retribuem e alimentam.
Afagar a terra
conhecer os desejos da terra
e fecundar o chão..
domingo, 8 de dezembro de 2013
Vai
Vai menina, fecha os olhos, solta os cabelos, joga a vida
Como quem não tem o que perder
Como quem não aposta
Como quem brinca somente.
Vai, esquece do mundo
Molha os pés na poça
Mergulha no que te dá vontade.
trechos de Agda Yokowo
Como quem não tem o que perder
Como quem não aposta
Como quem brinca somente.
Vai, esquece do mundo
Molha os pés na poça
Mergulha no que te dá vontade.
trechos de Agda Yokowo
domingo, 17 de novembro de 2013
"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir". (Fernando Pessoa)
Sentir. Como é pesado às vezes permitir-se tanto!
Fechada me anulo. Não sou eu. Permitir-se é belo, é intenso, é único. E sofrido.
Aquilo que sinto por vezes não me sai em palavras. Se é que se permite sair...!
Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir.
Reduzo a palavras. Encontro-as no dicionário e feito! Reduzidas a um vocábulo.
Traduzíveis tornam-se menores.
Aquilo que é imenso, grande, indizível
É indizível. Dói mais. Sente-se mais!
E a busca em decifrá-lo?
É o que torna talvez o processo mais intenso, árduo, eterno..
Abro-me e assim me encontro
Ou encontro um caminho, pro indizível que habita o mais indescritível dos espaços!
Um viva à sagacidade da mente,
Ou à intensidade da alma que, sagrada,
busca encontrar-se novamente
no caminho da eternidade.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Segue teu caminho
A água escorre devagar
Molha a pontinha do couro cabeludo e escorre.... Desce pelo pescoço, ombros, barriga, cai.
Sucessivamente milhões de gotas se perdem no percurso
Seguem o caminho que a elas aparece
Seja pra outros corpos
Seja pra outra terra
A água vai. Silenciosa profunda transparente sã
E eu
estou
precisando
ir
Molha a pontinha do couro cabeludo e escorre.... Desce pelo pescoço, ombros, barriga, cai.
Sucessivamente milhões de gotas se perdem no percurso
Seguem o caminho que a elas aparece
Seja pra outros corpos
Seja pra outra terra
A água vai. Silenciosa profunda transparente sã
E eu
estou
precisando
ir
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