terça-feira, 25 de junho de 2024

Corpo espaço


Hoje tive uma sensação parecida com um insight que tive depois de alguns meses de terapia. Lembro que, conforme as sessões iam passando, eu ia percebendo mais meu próprio espaço corporal e espacial: percebendo que eu era um corpo, também, e que esse corpo poderia ser intencional assim como a minha mente performava e formulava ideias e palavras.
Senti vontade de usar o corpo, porque era como se eu tivesse acabado de ganha-lo: ao liberar aos poucos os efeitos do controle da ansiedade sobre a mente, eu ia sentindo e vendo meu corpo no espaço e como ele ocupava esse espaço. que posições intencionalmente eu decidia por colocá-lo. Que detalhes dele eu queria dedicar mais tempo cuidando. O início da sensação de se sentir confortável em silêncio mesmo perto de outras pessoas porque quem eu era também estava nesse corpo em silêncio, e não apenas das palavras e ideias que saíam da minha mente quando conversava com as pessoas.
Eu também não precisava prestar tanta atenção na reação das pessoas ao meu redor porque a sensação de ter um corpo que carrega uma identidade delimitava uma segurança, uma linha que contornava um certo espaço pessoal, meu e de mais ninguém.
Hoje tive essa sensação após várias semanas me sentindo totalmente dissociada: extremamente ausente do corpo, extremamente vivendo e (sofrendo) na cabeça. Hoje alguns felizes momentos descontraídos me tiraram de lá e eu senti meu corpo novamente. Percebi o quanto não estava prestando atenção ao espaço que estava ocupando, o quanto eu estou descuidada quando o assunto é se habitar.
Mas no enfim, é isso: somos mais corpo que cabeça, mais existência que pensamento. Que essa existência tenha chances de existir, que ela saiba encontrar e ocupar espaços.

domingo, 2 de junho de 2024

Sobre o amor e seu trabalho misterioso

 hoje foi um dia em que eu fui em uma festa sobre toda maneira de amor vale a pena, toda maneira de amor valerá

e somado a isso, como tradição, me pego em uma comovida reflexão sobre a vida do meu filho que aumentará um número na idade amanhã.

todo mundo vem de duas famílias, pai e mãe, e todo mundo recebe muitas formas variadas de amor, inúmeras. a gente faz um mix dessas formas e tenta sintetizar em uma sensação de como é sentir esse amor, como é se sentir amado. mas tem formas que prevalecem e normalmente não são as melhores 

amar um filho é tanto que dói e a gente ama como a gente aprendeu

mas que sorte bonita se, no meio do caminho, a gente aprender outras formas de amar e ver isso brotar no nosso filho pq ele é feito de tantos braços que o amam que (ainda bem) muitas formas variadas chegam até ele.

eu não sei pq gosto tanto de falar sobre amor, ou sobre ser amado, mas eu sei que é uma questão que atravessa muitas outras por exemplo a passagem do amor de uma geração pra outra 

ainda bem que a gente muda, ainda bem que a gente pode aprender também a amar de novo e de novo e de novo, até que não precise mais de tantas palavras pra pensar em uma só. Amar. Talvez seja querer que o outro saiba que ele existe enorme pra gente. Mas cada um conta de um jeito, e no meio dessas tantas contações de história, várias partes se perdem no caminho e tem quem nem receba o começo do recado, mas o problema tá no caminho.

Que alegria poder vislumbrar mais de um caminho. A gente nunca vai aprender se existe um segredo pra dar e receber amor. Mas a gente vai vislumbrar