Senti vontade de usar o corpo, porque era como se eu tivesse acabado de ganha-lo: ao liberar aos poucos os efeitos do controle da ansiedade sobre a mente, eu ia sentindo e vendo meu corpo no espaço e como ele ocupava esse espaço. que posições intencionalmente eu decidia por colocá-lo. Que detalhes dele eu queria dedicar mais tempo cuidando. O início da sensação de se sentir confortável em silêncio mesmo perto de outras pessoas porque quem eu era também estava nesse corpo em silêncio, e não apenas das palavras e ideias que saíam da minha mente quando conversava com as pessoas.
Eu também não precisava prestar tanta atenção na reação das pessoas ao meu redor porque a sensação de ter um corpo que carrega uma identidade delimitava uma segurança, uma linha que contornava um certo espaço pessoal, meu e de mais ninguém.
Hoje tive essa sensação após várias semanas me sentindo totalmente dissociada: extremamente ausente do corpo, extremamente vivendo e (sofrendo) na cabeça. Hoje alguns felizes momentos descontraídos me tiraram de lá e eu senti meu corpo novamente. Percebi o quanto não estava prestando atenção ao espaço que estava ocupando, o quanto eu estou descuidada quando o assunto é se habitar.
Mas no enfim, é isso: somos mais corpo que cabeça, mais existência que pensamento. Que essa existência tenha chances de existir, que ela saiba encontrar e ocupar espaços.
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