quarta-feira, 5 de maio de 2010

Como alcançar o sucesso?

Mais uma consequência da sociedade individualista em que vivemos, os livros de auto-ajuda estão nos primeiros lugares dos livros mais lidos pelos brasileiros. Como alcançar o tão chamado sucesso, como alcançar a felicidade, verdadeiros manuais da vida. Seguimos o roteiro e assim podemos vivê-la. Não será muita comodidade?
O sucesso e a prosperidade estão relacionadas sempre ao acúmulo de capital, no incentivo à realização pessoal, e cada vez mais esta busca torna-se frequente. O conflito, os sentimentos, a vida em si, é acalmada e direcionada. De acordo com essa visão, o leitor ou participante recebe o equivalente a um placebo enquanto o escritor e o editor recebem os lucros.
Outra crítica feita é a respeito desta passividade. A vida é um conjunto de problemas e não há manual que os resolva, mas sim os que confortam. E é aí que está a questão. Assim como aqueles que buscam amparo e consolo na religião, os livros de auto-ajuda estão lá, e simplificam muitas questões difícies, questões que cabem apenas ao próprio indivíduo buscar e resolver através da vivência. Os livros encorajam as pessoas a focarem no desenvolvimento pessoal, em vez de se unirem a movimentos sociais para resolverem seus problemas.
Há, por outro lado, as contra-argumentações. Há visões que digam que alguns leitores buscam "respostas fáceis", mas isso não significa que as respostas nos livros são de fácil aplicação. Um livro pode sugerir um método de agir (fácil ou não), mas apenas o leitor pode levá-lo adiante, e muitos leitores tem mais vontade de fazê-lo que outros. Os que fazem o esforço geralmente tem mais melhorias em suas vidas.
Melhorias ou não, não podemos deixar de assumir a influência exercida por esses livros, e a violência ideológica presente nestes. Enquanto a busca por comodidade e a auto-realização for maior que o desejo pelo bem comum, estes livros de auto-ajuda estarão nas prateleiras, e, como agora, no ranking dos mais lidos e vendidos.

2 comentários:

ELLA. disse...

este texto é seu?

Soraya R. disse...

Sí senhorita!